Review: Os Ultimos Passos de um Homem

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Há filmes que você assiste e que, de alguma forma, te marcam. Seja pela carga dramática ou pela dureza da história, ou até por motivos frívolos (como a mulher de três peitos de "O Vingador do Futuro"... nunca vou tirar essa cena da cabeça...). O fato é que há filmes que imprimem em nós alguma coisa após assistirmos. Nos fazem refletir. E poucos filmes mexeram tanto comigo quanto "Os Ultimos Passos de um Homem".

O filme não se baseia em um pensonagem específico (apesar de se basear nas experiências reais da irmã Helen Prejean), mas fala sobre o direito à vida e à morte, e esse direito pode ser retirado de você, seja por um vizinho, um amigo ou até mesmo o Estado. Ele incita a velha discussão do até onde a lei do "olho por olho" é válida. 

A história começa quando a irmã Helen (Susan Srandon, no papel que lhe rendeu um Oscar de Melhor Atriz) recebe uma carta de Matt Ponceler (Sean Penn), um rapaz que está no corredor da morte acusado pelo brutal assassinato de dois jovens. Ele alega inocência e pede ajuda para se livrar da pena máxima. Como uma boa cristã, a Irmã atende a seu pedido e passa a visitá-lo, na esperança de, ao menos, fazer com que ele se arrependa de sua parte no crime (mesmo que esta possa ter sido apenas a inércia diante do assassinato do casal) e alcance a salvação. Assim, mesmo morrendo, nos olhos da Irmã, ele alcançaria a vida eterna.

O jovem casal do filme é morto de maneira covarde. A menina é estuprada e apunhalada 17 vezes, enquanto o namorado observa, atônito, toda a violencia e é morto logo depois com dois tiros na cabeça. A cena só é mostrada no final. De propósito, é claro. Em dado momento, Ponceler diz: "Só quero dizer que ninguém tem o direito de tirar a vida de ninguém. Isso é errado. Mesmo que seja o Governo que faça isso". E, como toda pessoa que é contra a pena de morte, concordei vêemente. Mas aí é mostrada a cena dos assassinatos... E aí, meu caro, o filme atinge seu principal objetivo: mostrar como é fácil se colocar contra a pena de morte, quando se está sentado em casa vendo televisão ou ouvindo a notícia pelo rádio... mas e quando uma pessoa amada, como seus pais ou irmãos, é assassinada de maneira covarde e brutal? Será que não é simples demais julgar aquilo que não vivenciamos?

O filme discute ainda as questões fundamentais do Cristianismo, não apenas acerca da pena de morte, mas questinamentos comportamentais e a hipocrisia que cerca suas doutrinas na sociedade contemporânea. A Irmã Helen tenta a todo momento agir de maneira condizente com o que prega, quando todos ao seu redor - inclusive o Padre - tentam fazê-la se sentir mal por isso. Ponceler é racista, anti-semitista, machista, violento e parece não ter correção. Ainda assim, a Irmã Helen luta até o final por sua redenção.

Mais que as boas atuações (com destaque para Raymond J. Berry como o bom cristão que vê sua fé sendo testada pela morte prematura do único filho) e a direção certeira de Tim Robbins, a estrela do filme é mesmo a discussão moral que ele provoca e o espaço que é deixado para reflexão.Você é, ou não, a favor da pena de morte? A resposta não é simples, assim como nada na vida é.


Os Últimos Passos de Um Homem
(Dead Man Walking, 1995)
EUA/Inglaterra
Drama/ Crime
De Tim Robbins. 
Com Susan Sarandon,  Sean Penn, Robert Prosky, Raymond J. Berry, Celia Weston, Peter Saasgard.


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